A margem se decide na coordenação

Margem e execução comercial

A margem se decide na coordenação

As empresas que expandem margem em ambiente pressionado não são as que têm os melhores produtos. São as que operam melhor.

Os balanços do 1T26 mostram porque as companhias que abrem distância dos concorrentes não podem olhar só para o crescimento do mercado.

Em energia, infraestrutura, agro, óleo e gás, varejo e indústria, o padrão se repete, e as empresas que continuam expandindo margem e gerando caixa forte em ambiente pressionado não são as que têm os melhores produtos.

São as que operam melhor.

Em um cenário de juros elevados, capital seletivo e demanda volátil, a eficiência comercial deixou de ser tema de vendas. Virou tema de competitividade.

Quando comercial, operação, supply chain e financeiro operam desalinhados, os sinais aparecem rápido:

  • descontos sem critério
  • demanda errática
  • estoques desalinhados com a carteira
  • prazo médio concedido crescendo
  • margem operacional cedendo

As que alinham essas áreas operam com mais previsibilidade, porque o pricing ganha consistência, o capital de giro responde melhor e a captura de margem deixa de depender de volume.

O tema tem respaldo acadêmico. Pesquisa da INSEAD publicada pela Management Science mostra que empresas com pricing, capacidade e gestão de demanda coordenados capturam significativamente mais valor do que estruturas fragmentadas.

As líderes já entenderam. Crescimento saudável não é maximizar volume. É capturar valor com disciplina de execução.

Nota do autorO 1T26 da AGCO é o case do trimestre para isso. Globalmente cresceram 14,3% em receita, mas o corte regional expõe a história. A EME entregou margem operacional de 16,2%, LATAM fechou em -19,3%. A queda de receita LATAM, de 30,3% em moeda constante, sozinha não justifica destruição de margem nessa magnitude. É mix, pricing e estrutura comercial que não se ajustaram quando o ciclo virou. Crescimento de mercado nunca foi suficiente, em ciclo de queda fica óbvio quem construiu disciplina.
Fontes. “Pricing and Revenue Management: The Value of Coordination”, Management Science / INSEAD.
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Publicado originalmente no LinkedIn em 12 de maio de 2026
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Paulo Turibio

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