O paradoxo da Ducati, bom demais para ficar

Sucessão e venda de ativo

O paradoxo da Ducati, bom demais para ficar

A Ducati não está na mesa porque vai mal. Está porque vale muito.

Confesso o viés antes de tudo. Sou ducatista, tenho a Volkswagen em alto conceito e nutro paixão antiga pela Lamborghini. Talvez por origem, italiana como as duas marcas.

Então li com o coração um pouco apertado a notícia de que a VW voltou a estudar vender a Ducati e listar a Lamborghini, no meio da maior reestruturação da sua história. O conselho decide em 9 de julho.

Mas justamente porque admiro as três, tento olhar além da emoção.

A Ducati não está na mesa porque vai mal. Está porque vale muito. É um dos ativos mais rentáveis do grupo. E numa companhia sob forte pressão de caixa, ativo valioso vira a moeda mais cobiçada. Não é castigo. É consequência do próprio sucesso.

Já vi esse filme do lado de dentro. Conduzi a virada comercial de uma divisão industrial que, depois de recuperar margem, foi vendida para um fundo europeu e ganhou vida própria. E aprendi ali uma coisa que a manchete não conta.

Marca forte não garante boa venda. O que garante é a casa arrumada.

Quando o controlador decide desinvestir, o operador não manda na decisão. Mas manda no estado em que o ativo chega à negociação. Processos comerciais em dia, pricing defensável, contratos organizados, margem limpa, pipeline previsível. É isso que um comprador de private equity ou um novo controlador examina antes de olhar o emblema na fachada.

Quem entende isso não espera o anúncio para arrumar a casa. Mantém arrumada o tempo todo, porque sabe que um dia o telefone toca, e nesse dia a qualidade da venda já foi decidida pelo trabalho dos anos anteriores.

A Ferrari mostrou que um spinoff bem conduzido pode libertar uma marca e destravar valor que nem o dono enxergava. Foi o caso de uma joia italiana que ganhou o mundo quando deixou de ser apêndice de um grupo grande. A Ducati e a Lamborghini têm a mesma estatura simbólica. Se esse caminho se confirmar, que seja com a operação preparada para honrar o que essas marcas representam.

Como ducatista, torço pela Ducati onde quer que ela esteja. Como operador, sei que o destino de um ativo desses se decide menos no anúncio e mais no cuidado de quem o preparou para esse dia.

Prepare o ativo como se ele fosse vendido amanhã. Não porque vai, mas porque é assim que se protege aquilo que a gente ama.

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Publicado originalmente no LinkedIn em 30 de junho de 2026
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Paulo Turibio

Quando o tempo é o recurso mais escasso.

Uma conversa de trinta minutos costuma bastar para saber se o caso é esse.

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